Notícias & Artigos

Blindagem de veículos avança com a insegurança

Antes restrita a executivos, procura cresce também na classe média.

   Alimentada pelo aumento da violência urbana e pela procura cada vez maior da classe média, a quantidade de veículos blindados vem crescendo no Estado. Em meio a maior recessão econômica do país nos últimos 25 anos, o setor mostra ser também à prova de crise.

  Segundo fabricantes e empresas especializadas que atuam no Rio Grande do Sul, pelo menos 30 novos carros blindados por mês neste ano entraram em circulação nas ruas da Capital. 

  É o dobro do que se via em 2014. Apesar do valor ainda salgado (em média R$ 55 mil por veículo), clientes gaúchos passaram a adotar estratégia já percebida em outras praças, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o serviço é mais difundido: no momento de comprar um automóvel, já assimilam os gastos com blindagem no custo de aquisição. Estão preferindo comprar modelos mais baratos e mandar blindar em vez de adquirir modelos ponta de linha ou trocar de carro.

  Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que o roubo de veículos em 2015 disparou 31,8% no Estado em relação ao ano anterior — os 18.142 carros levados somam o recorde histórico desde que a contagem começou a ser feita, em 2002, quando o número foi 8.380. Na Capital, onde ocorrem mais da metade dos crimes, o avanço foi de 36,6%. Ainda não estão disponíveis números referentes aos primeiros meses de 2016.

  A Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), que reúne empresas do segmento, não tem dados consolidados por regiões, mas Rogério Garrubo, presidente da entidade, afirma que a capital gaúcha é "tranquilamente" a campeã na procura por blindagem automotiva na Região Sul.

— São Paulo continua sendo o principal polo, mas outras cidades vêm apresentando crescimento surpreendente. Porto Alegre é uma. O aumento de roubos, muitas vezes com o proprietário ferido, tem colocado a blindagem como artigo de necessidade. Para o setor de segurança, não tem crise — afirma Garrubo.

  Há mais de 13 anos no ramo de blindagem automotiva, com experiência em São Paulo e Porto Alegre, o consultor em segurança Bernardo Fallavena confirma que a procura pelo serviço tem ficado menos elitizada nos últimos tempos. A chegada de novas empresas no mercado — na região metropolitana da capital gaúcha já são três, em São Paulo, mais de cem — e o uso de novos materiais na blindagem do carro deixam o preço pouco mais acessível.

— Antes eram só grandes empresários que buscavam este tipo de proteção. Agora não, tem muito profissional liberal que mostra interesse em blindar o carro ou comprar um seminovo blindado — explica Fallavena.

  A proteção do automóvel pode desvalorizá-lo, alerta o consultor. O peso extra que o veículo recebe — em média 160 quilos — exige manutenção mais constante e troca de peças. Até a escolha do nível de segurança influencia na hora da revenda, explica.

 

fonte:http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2016/06/blindagem-de-veiculos-avanca-com-a-inseguranca-6117686.html